
Natural de Rio do Sul (SC), domiciliado em Joinville (SC), artista autodidata, utiliza como a arte da técnica marchetaria.
É um belo resultado de composição em lâminas de madeira, com efeito de mosaico, revelando em seu conjunto a vigorosa potencialidade criadora artística.
Tudo é feito em diversas espécies de madeira nobre comercial.
As tonalidades, cores, brilhos obedecem à ordem natural da espécie da madeira para compor os trabalhos (telas) - com sua cor e brilho característicos - é cortado segundo as propostas de composição da obra e é combinado com outras lâminas de diferentes aspectos da mesma forma como um pintor alterna as tintas e as pinceladas.
Esta arte pode ser estendida ainda ao uso de tampas de mesa, portas, armários , revestimentos, tapetes, porta livros, revelando em seu conjunto a vigorosa potencialidade criadora artística.
Se cabe a analogia com a pintura na análise de seu trabalho, é possível fazer um paralelo entre as linhas e os traços do pintor e a forma como o marcheteiro talha suas lâminas.
São as combinações entre estes cortes que definem as figuras nos mosaicos de madeira, assim como são as pinceladas que definem as formas nas telas.
O que são diferentes pigmentos na pintura remetem a tipos específicos de madeira que, com sua cor natural, conferem sombra ou luz, frio ou calor à composição marchetada, tornando este tipo de arte mais próximo da pintura do que propriamente da escultura.
A comparação permite localizar facilmente o seu trabalho num contexto artístico mais amplo.
No entanto, seus mosaicos causam intriga quando convidam para a discussão do limite entre arte e artesanato.
Celebrada por artesãos através dos tempos, a marchetaria chega à modernidade como uma possibilidade de expressão artística graças à carga reflexiva e pessoal que cada artista lhe atribui.
Reúne em 11 mosaicos o trabalho feito nos últimos anos, onde têm-se o retrato de "Che Guevara" acompanhado de sua mais emblemática frase está aqui para derrubar argumentos contrários.
Entre cenas campestres e agrárias ("São José do Rio Preto" e "Paisagem Chinesa", por exemplo), arranjos florais "Floral com
Espantalho"") e paisagens catarinenses (os interessantes "Colônia Dona Francisca" e "Porto
de Blumenau"), os seus trabalhos permitem ver um artista/artesão em busca de seu próprio estilo.
Este desenvolvimento estético pode ser vislumbrado no nascimento de uma louvável linguagem personalizada em "Colonial" - um trabalho com identidade autoral - contrapondo a abordagem impessoal de "Haras" e "Araras
a Meia-Noite" à cata de formas perfeitas que não combinam com a marchetaria conhecida.